Em Portugal, o cartão de débito domina os pagamentos do dia a dia: segundo o Relatório dos Sistemas de Pagamentos 2024 do Banco de Portugal, apenas 10 % das operações com cartão realizadas em estabelecimentos foram feitas com cartão de crédito. Ainda assim, a adesão ao crédito cresce — em 2024, foram contratados 932 mil cartões de crédito, linhas de crédito e descobertos, o valor mais elevado de sempre, com um crescimento de 5,1 % face a 2023.
Melhores cartões de crédito em Portugal

A oferta disponível é ampla e variada: anuidades do zero a várias dezenas de euros, TAEG entre os 10 e os 18,8 % (o limite legal fixado pelo Banco de Portugal), e benefícios como seguros de viagem, programas de pontos e cashback. Escolher bem tem impacto direto no custo total do cartão ao longo do tempo.
Neste guia, encontra a comparação dos principais cartões de crédito para particulares em Portugal e os critérios que mais importam para decidir bem. Para empresas e profissionais independentes, a Qonto oferece cartões corporativos integrados numa conta empresarial como alternativa ao cartão de crédito pessoal.
- Um cartão de crédito é um contrato de crédito com plafond; pagar o extrato na totalidade evita juros, e fracionar implica custos, onde a TAEG é o indicador mais completo.
- Para escolher, priorize anuidade se paga tudo, e TAEG se fraciona; confirme seguros, recompensas, condições de isenção e custos por atraso.
- Há cartões sem anuidade, mas “gratuito” pode exigir condições e a TAEG tende a ser alta; pedir online é simples, mas exige documentação e leitura da FINE.
- Fracionar só compensa pontualmente e com TAEG baixa; conheça riscos e alternativas.
- Para negócios considere cartões corporativos Qonto para separar despesas e ganhar controlo.
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4.4 no Capterra
Melhores cartões de crédito em
Portugal
A tabela seguinte compara os principais cartões de crédito disponíveis para particulares em Portugal. Os dados foram recolhidos com base no estudo da DECO Proteste (dezembro de 2025) e nos sites oficiais de cada instituição.
| Entidade | Cartão | Anuidade | TAEG | Destaca-se por: |
|---|---|---|---|---|
| Abanca | Silver | €0 | 15,7% | Seguros antifraude e assistência em viagem (incluídos) |
| ActivoBank | Classic | €0 | 17,9% | Descontos em parceiros (hotelaria, tecnologia) |
| Banco CTT | Mastercard | €0 | 19,0% | Cashback 2% em supermercados, restaurantes e mobilidade |
| Bankinter | BKCF BK Power | €0 | 18,8% | Seguro de acidentes pessoais em transportes públicos |
| Banco Montepio | Classic | €18,72 (1) | 11,2% | Pacote de seguros opcional (viagem, saúde, jurídico) por €13,50/ano |
| Best Bank | Gold | €20,80 (2) | 12,6% | Assistência em viagem Visa GCAS (gratuita) |
| BBVA | Depois Classic | €20,00 (3) | 14,5% | Seguros gratuitos + descontos em 200+ marcas (Clube BBVA+) |
| Caixa Geral de Depósitos | Caixa IN | €12,00 | 15,2% | Programa Vantagens Caixa (50+ parceiros, milhas, cashback) |
| Millennium bcp | Classic | €10,40 (4) | 15,7% | Programa de pontos Millennium |
| Novobanco | Branco | €65,00 | 10,6% | Seguro proteção de pagamentos (desemprego, hospitalização) |
| Universo | Cartão Universo+ | €0 | 19,0% | Descontos em lojas parceiras |
| Wizink | Flex / Rewards | €0 | 19,0% | Programa de pontos (1€=1 ponto) + seguros de viagem e compras |
*Informações disponíveis no artigo segundo a apuração feita na data de publicação. Para informações atualizadas, consulte o site oficial de cada instituição.
Como funciona um cartão de
crédito?
Um cartão de crédito é, ao mesmo tempo, um meio de pagamento e um contrato de crédito. Cada vez que o utiliza para pagar uma compra, o banco adianta esse valor e o montante terá de ser reembolsado num prazo definido, com ou sem encargos de juros, consoante a forma de pagamento escolhida.
O banco atribui um plafond (limite de crédito) que determina o valor máximo disponível para utilizar. No final de cada mês, é emitido um extrato com todas as transações realizadas. A partir daí, existem essencialmente duas opções:
- Pagar a totalidade do saldo até à data indicada (geralmente num prazo de 20 a 50 dias após a compra); neste caso, não são cobrados juros.
- Fracionar o pagamento, optando por liquidar apenas uma parte do saldo. O valor restante fica sujeito a juros, que nos cartões de crédito tendem a ser mais elevados do que noutros produtos de crédito ao consumo.
TAN e TAEG: o que cada indicador significa
Para comparar cartões com rigor, há dois indicadores fundamentais a conhecer.
A TAN (taxa anual nominal) é a taxa de juro aplicada ao valor em dívida. A TAEG (taxa anual de encargos efetiva global) vai mais além: reflete o custo total do crédito, incluindo a TAN, comissões, impostos e todos os outros encargos associados. É o indicador mais fiável para comparar cartões entre si.
O Banco de Portugal fixa trimestralmente o valor máximo da TAEG permitido por lei. No primeiro trimestre de 2026, esse limite era de 18,9 %, percentagem que cerca de metade dos cartões disponíveis no mercado já atingia.
Como escolher o cartão de crédito
ideal?
A resposta começa numa pergunta simples: costuma pagar o extrato na totalidade todos os meses, ou prefere fracionar?
- Se paga sempre na totalidade, o critério principal é a anuidade. Um cartão sem anuidade permite poupar desde o primeiro dia, sem que a TAEG tenha grande impacto afinal, se o saldo for liquidado dentro do prazo, os juros não são cobrados.
- Se fraciona com regularidade, a TAEG passa a ser o fator decisivo. Quanto mais baixa for, menos pagará em juros ao longo do tempo. Um diferencial de apenas alguns pontos percentuais pode representar dezenas de euros por ano.
Além do critério principal, vale a pena considerar:
- Seguros incluídos: alguns cartões incluem seguros de viagem, proteção de compras ou assistência em caso de roubo, sem custo adicional.
- Cashback e programas de pontos: adequados para quem paga sempre na totalidade; caso contrário, os juros tendem a anular o benefício.
- Condições de isenção da anuidade: muitos cartões isentam a anuidade se atingir um determinado volume de gastos mensal ou anual. Verifique se esse limiar é realista para o seu perfil de consumo.
- Custos em caso de atraso: comissões e penalizações por pagamento tardio podem ter um impacto considerável no custo total do cartão.
Por fim, o melhor cartão de crédito não é necessariamente o mais barato, é o que melhor se adapta à forma como o utiliza.
Existem cartões de crédito
gratuitos?
Sim. Vários bancos e entidades financeiras em Portugal oferecem cartões de crédito sem anuidade, ou seja, sem o custo fixo anual associado à manutenção do cartão. Na tabela acima, pode encontrar exemplos como o Abanca Silver, o ActivoBank Classic, o Banco CTT Mastercard, o Bankinter BKCF BK Power, o Cartão Universo+ e os cartões Wizink.
Ainda assim, convém distinguir dois cenários:
- Anuidade zero incondicional: o cartão não cobra qualquer custo fixo anual, independentemente do volume de utilização.
- Anuidade com isenção condicional: o cartão tem anuidade, mas esta é dispensada se atingir um determinado montante de compras por mês ou por ano. Verifique bem as condições antes de subscrever.
O facto de um cartão não ter anuidade não significa que seja isento de todos os custos. Se fracionar os pagamentos, a TAEG aplica-se integralmente — e nos cartões sem anuidade, essa taxa tende a ser mais elevada, frequentemente próxima do limite legal de 18,8 %. Em contrapartida, se pagar sempre a totalidade do extrato dentro do prazo, um cartão sem anuidade é genuinamente gratuito na prática.
A escolha de um cartão gratuito faz mais sentido para quem tem hábitos de pagamento disciplinados e pretende um meio de pagamento sem encargos fixos.
Como pedir um cartão de crédito
online
A maioria dos bancos e instituições de crédito em Portugal permite hoje solicitar um cartão de crédito inteiramente online sem deslocações a uma agência. Em alguns casos, a aprovação pode ser imediata ou ocorrer no mesmo dia útil.
O processo é habitualmente o seguinte:
- Escolha o cartão com base nos critérios abordados acima: anuidade, TAEG, benefícios e perfil de utilização.
- Aceda ao site ou à aplicação da instituição e localize a página de adesão ao cartão.
- Preencha o formulário de pedido com os seus dados pessoais: nome, número de identificação fiscal (NIF), morada e contactos.
- Comprove os seus rendimentos, geralmente através do carregamento de recibos de vencimento, declaração de IRS ou extrato bancário.
- Aguarde a decisão de crédito. Muitas instituições emitem uma resposta de pré-aprovação em minutos; a confirmação definitiva pode chegar por e-mail nas horas seguintes.
- Receba o cartão por correio, habitualmente no prazo de cinco a dez dias úteis após a aprovação.
Antes de submeter o pedido, certifique-se de que leu a Ficha de Informação Normalizada Europeia (FINE), documento obrigatório por lei que detalha todas as condições do contrato: taxas, comissões e penalizações.
Fracionamento de
compras
Fracionar uma compra significa não liquidar o valor total do extrato no final do mês, optando por pagar em prestações. O cartão de crédito permite esta flexibilidade mas com um custo: sobre o valor em dívida aplicam-se juros à TAEG contratada.
Quando pode compensar:
- Compras pontuais de valor elevado — em vez de recorrer a um crédito pessoal separado, o fracionamento pode simplificar a gestão, sobretudo se o cartão tiver uma TAEG competitiva.
- Cartões com TAEG reduzida — alguns cartões de anuidade paga apresentam taxas substancialmente abaixo do limite legal, o que pode tornar o custo do fracionamento mais favorável do que outras alternativas de crédito.
Quando não compensa:
- Compras do quotidiano ou de baixo valor — os juros acumulam-se rapidamente e o custo final pode superar em muito o valor original.
- Quando a TAEG está próxima do limite legal — nos cartões com taxas de 18,8 %, fracionar é uma das formas de crédito mais caras disponíveis no mercado.
Uma boa regra prática: se não tiver certeza de conseguir liquidar o valor em dois ou três meses, considere alternativas de financiamento com condições mais favoráveis.
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Riscos dos cartões de
crédito
Um cartão de crédito é uma ferramenta útil quando bem gerido, mas os riscos de uma utilização descuidada são reais.
- Juros elevados: a TAEG dos cartões de crédito é, regra geral, mais alta do que a de outros produtos de crédito ao consumo. Em Portugal, o limite legal é atualmente de 18,9%. Qualquer saldo não liquidado dentro do prazo fica sujeito a esta taxa.
- Endividamento progressivo: a possibilidade de pagar apenas o montante mínimo mensal pode criar uma falsa sensação de controlo. Na prática, o saldo em dívida cresce com os juros, o prazo de pagamento alonga-se e o custo total pode exceder em muito o valor das compras originais.
- Custos por atraso: o incumprimento dos prazos de pagamento acarreta comissões de mora e pode resultar na comunicação do incumprimento ao Banco de Portugal, com impacto no historial de crédito do titular.
- Gastos impulsivos: o acesso imediato a crédito facilita decisões de compra não planeadas, o que pode desequilibrar o orçamento sem que tal seja percebido de imediato.
Utilizado com disciplina, pagando sempre a totalidade do extrato dentro do prazo, o cartão de crédito pode ser financeiramente neutro ou mesmo vantajoso. O problema surge quando deixa de ser um instrumento de conveniência e passa a ser uma fonte de endividamento.
Alternativas aos cartões de
crédito
Nem sempre um cartão de crédito é a opção mais adequada. Consoante o perfil e as necessidades, há alternativas a considerar.
- Cartão de débito: permite pagar compras e levantar dinheiro diretamente a partir do saldo disponível em conta. Não gera dívida nem juros, o que o torna mais seguro para quem quer um controlo rigoroso do orçamento.
- Cartão pré-pago: funciona com um saldo carregado previamente, sem ligação a uma conta bancária. É adequado para limitar gastos, fazer compras online ou para quem não reúne os requisitos de elegibilidade de um crédito.
- Transferência bancária e débito direto: para pagamentos recorrentes ou de valor elevado, pode ser mais eficiente e sem custos adicionais.
- Cartão corporativo: para empresas e profissionais independentes, os cartões corporativos são uma alternativa mais adequada do que os cartões de crédito pessoal. Permitem separar as despesas profissionais das pessoais, facilitam a gestão financeira e integram-se com ferramentas de contabilidade.
Quando faz sentido ter um cartão de crédito para
empresas?
Para muitas empresas, o cartão de crédito pessoal do sócio ou administrador acaba por ser utilizado para despesas profissionais, misturando finanças pessoais e empresariais, dificultando a contabilidade e criando responsabilidades desnecessárias.
Um cartão dedicado ao negócio faz sentido quando:
- As despesas da empresa são regulares e variadas: viagens, fornecedores, material de escritório, subscrições de software.
- Há equipa a gerir despesas: cartões adicionais para colaboradores, com limites individuais definidos pelo gestor.
- A empresa precisa de registos claros: para efeitos fiscais e de auditoria, centralizar todos os gastos profissionais simplifica o processo.
- A faturação varia ao longo do mês: ter acesso a crédito permite gerir o fluxo de caixa sem recorrer a descobertos bancários.
Ao contrário dos cartões de crédito pessoal, os cartões corporativos são emitidos em nome da empresa, com limites ajustados às necessidades do negócio e integração com ferramentas de gestão financeira.
Cartões físicos, cartões virtuais, cartões flash, transferências instantâneas - a escolha é sua.
Cartão corporativo da Qonto: a alternativa para
empresas
A Qonto é uma solução financeira para empresas e profissionais independentes que oferece cartões corporativos integrados numa conta de negócios. Ao contrário dos cartões de crédito tradicionais, os cartões da Qonto funcionam como cartões de débito empresariais, sem risco de endividamento progressivo.
Com um cartão da Qonto, é possível:
- Emitir cartões físicos e virtuais para cada colaborador, com limites individuais controlados pelo gestor.
- Acompanhar despesas em tempo real, com notificações instantâneas por cada transação.
- Automatizar a contabilidade, com integração direta com ferramentas como Sage e outros parceiros contabilisticos.
- Pagar em qualquer parte do mundo sem surpresas na fatura.
Para empresas que procuram simplicidade, controlo e transparência na gestão das despesas profissionais, a Qonto é uma alternativa direta aos cartões de crédito pessoal adaptados para uso empresarial.
Despesas profissionais rápidas e seguras.
Fontes consultadas:
- Banco de Portugal - Vale a pena comprar com cartão de crédito?
- DECO Proteste - Cartões de crédito: qual o melhor, como escolher e erros a evitar
- Comparamais.pt - Classificação dos melhores cartões de crédito
- Expresso - Crédito ao consumo cresceu em outubro; cartões de crédito têm a taxa mais elevada
Perguntas frequentes sobre os melhores cartões de crédito em Portugal
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